A cauteleira coxa e cega que apregoa a sorte que não lhe coube.
A velha que está no mundo como na sua sala de estar.
A moça que anseia por uma vida Zara Basic.
A senhora de gestos estudados que nem assim lhe saem bem, o inclinar de cabeça cheio de semiótica, o modo como finge pensar só com os seus botões, os talheres pousados no prato como bandarilhas espetadas num toiro.
A mãe que sobe as escadas de casa devagar porque sabe.
Vidas a metro, linhas da vida nas mãos de ninguém. Linhas verde, amarela, vermelha. Azul. O preço de uma chamada local. E o custo de vida que não pára de aumentar.